Queimar dinheiro ainda pode fazer sentido?

Depois de 13 anos e de muito capital “queimado”, o Uber anunciou primeiro fluxo de caixa positivo… Mas será que o Uber sequer existiria se não tivesse tido tanto dinheiro para queimar?

Arraste pra baixo pra descobrir 👇​

#burnrate

Demorou mais de 10 anos

Depois de 13 anos queimando caixa, a Uber anunciou essa semana que seu fluxo de caixa ficou “no verde”. O indicador ficou positivo em US$ 382 milhões, revertendo o saldo negativo de US$ 398 milhões no mesmo período do ano passado, e os quase US$ 25 bilhões “queimados” desde a fundação da companhia.

Um outro indicador também surpreendeu: a receita líquida da Uber no período dobrou para US$ 8,1 bilhões. As novidades fizeram as ações da companhia dispararem em Nova Yorque, compensando o prejuízo de mais de US$ 2 bilhões.

O resultado é um bom indicativo de que a estratégia da companhia de “estancar sua sangria” está funcionando. Em maio, em um e-mail interno enviado para os funcionários, o CEO da Uber, Dara Khosrowshahi, escreveu que a companhia “necessitaria mudar” para atender a um mercado com menos apetite por resultados futuros.

“No último trimeste, desafiei nosso time a cumprimir com nossos compromissos com a lucratividade ainda mais rápido do que o planejado, e eles cumpriram”, afirmou o Khosrowshahi no balanço financeiro.

O objetivo da companhia, agora, é obter lucro com base no fluxo de caixa livre, em vez de concentrar os resultados apenas no Ebtida, o que melhorá a rentabilidade.

#venturecapital

E se a Uber não tivesse tido dinheiro para queimar?

Inovar não é barato. E inovar em grande escala, menos ainda.

Para negócios que possuem margens apertadas de lucro e necessidade rápida de crescimento, ter capital disponível para dar prejuízo por alguns anos pode ser a linha entre viabilidade e impossibilidade.

Uber, Nubank, iFood… Você pode não ser fã do modelo de negócio de alguma delas, mas é improvável que não consuma o serviço de pelo menos uma.

Em uma realidade paralela, onde não tivesse capital de investidores dispostos a apostar em um lucro (muito) distante, nenhuma delas existiria.

Todos esses serviços dependeram de um grande montante de capital em seu princípio para só, então, fazer sentido como modelo de negócio. Dependendo de capital próprio, não teriam durado um ano ou levariam anos para expandir para outras regiões.

Teriam perdido a corrida pelo mercado e morrido na praia.

Isso não quer dizer, é claro, que não tenham tido exageros ou descontroles no comando desses negócios ou na forma como foram concebidos em seu princípio ou que não haveria formas de ser mais eficiente desde o início… Mas o fato é que foram os testes massivos, expansão agressiva e seus milhões de usuários que os tornaram negócios atrativos e, por fim, viáveis.

O segredo para o sucesso das startups daqui para frente é entender que a melhor forma de atuar nesse mercado é mantendo o equilíbrio.

É ele que permitirá que novos Ubers, Nubanks, iFoods continuem nascendo – já que dificilmente seriam negócios lucrativos desde o princípio – ao mesmo tempo que corrigirá excessos que poderiam ter comprometido a viabilidade deles.

Mercado terá uma nova onda de expansão, diz CEO do iFood

“Acompanho de perto o mercado de tecnologia há duas décadas, e sempre foi assim: a cada dois ou três anos, temos uma grande crise no ecossistema de inovação, e o capital desaparece, mas logo vem um novo ciclo de expansão”, disse o CEO do iFood, Fabricio Bloisi, em painel em evento.

De acordo com ele, esse é o momento perfeito para investir em uma startup ou, até mesmo, mesmo fundar uma. “Quando capital o capital estiver abundante de novo, haverá muitas oportunidades de crescimento”.

Ele relatou ter passado por pelo menos três mudanças radicais durante a trajetória no iFood. “Estamos nos adaptando o tempo inteiro. Nesses sete anos da empresa, quase quebramos várias vezes. Dar errado faz parte. A grande diferença está em continar testando”.

As crises no ecossistema de inovação são cíclicas, e quem não souber aproveitar o momento, poderá ficar de fora de boas oportunidades. Afinal, comprar na alta e vender na baixa é uma estratégia que muitas poucas vezes funcionou.

#CVC

 Com fundo de R$ 100 milhões, Locaweb volta às compras

Depois de ter colocado um pé no freio nas compras por considerar os preços pedidos “irreais”, a Locaweb avança negociações com startups para investimentos minoritários.

A estratégia é apoiada pelo fundo de corporate venture capital da companhia, que pretende aportar R$ 100 milhões em empresas inovadoras, com o primeiro investimento acontecendo ainda esse ano.

Segundo o diretor-executivo Fernando Cirne, a companhia está em conversas avançadas com quatro empresas, caminhando para fazer investimento nos próximos meses. 

Quando o fundo foi lançado em dezembro, a ideia era que os recursos seriam direcionados a startups dentro das áreas de atuação da Locaweb, mas, de acordo com Cirne, a companhia agora quer empresas “fora da caixa”.

“No CVC podemos nos dar o luxo de investir em empresas de segmentos não tão óbvios para nós”, disse o executivo, em entrevista ao Startups. Um exemplo disso são startups que trabalhem com metaverso, mercado em ascensão no país.

Na abordagem M&A o foco é empresas com cerca de R$ 10 a R$ 15 milhões de faturamento. Já no CVC, a companhia pode olhar para startups menores, que não se encaixariam no M&A, porque ou eram muito pequenas ou não tinham uma sinergia grande com a Locaweb.

“O CVC para mim é sinônimo de inovação. Ele se complementa com o M&A e o desenvolvimento interno. Ainda existe dinheiro no mercado e gente querendo investir”, diz Cirne. 

#podcast

Mercado subsequente vai potencializar o investimento em startups

“É muito legal investir mil reais em uma startup e ver esses mil reais se multiplicarem em alguns mil reais, mas se essa valorização não se transformar em dinheiro, do que adianta?”.⠀

No primeiro episódio do Podcap, Paulo Deitos, CEO da Captable, falou como a nova regulação da CVM e o MERCADO SUBSEQUENTE de startups (que, na Captable, é chamado de CAPTABLE MARKETPLACE) vai potencializar o setor de investimento em startups do país. Afinal, agora, os investidores decidem QUANDO e POR QUANTO querem vender suas participações.⠀

Ficou curioso? Quer saber mais?⠀

Confira o episódio #1 do Podcap aqui. ⠀

O Podcap fica disponível em todas as plataformas de áudio e no canal do YouTube da Captable.

Compartilhe: