E se a Loft tivesse sido criada há 10 anos?

Quando vemos artigos que tentam auxiliar empreendedores a como iniciar seus negócios, a maioria deles já parte de pontos operacionais, como ideação do produto, avaliação de aceitação dos consumidores e, após confirmado que a solução, de fato, atende a uma dor do mercado, a busca por captação de recursos.

Mas há um ponto que vem muito antes destes: o timing.

Talvez por ser tão pouco falado pelo mercado, muitos empreendedores acabam não o levando em consideração. Mas para Marc Andreesen, cofundador de uma das principais empresas de venture capital dos Estados Unidos, a Andreesen Horowitz, o timing é a principal forma de risco empresarial no setor de tecnologia, ficando à frente de má escolha no time, parcerias mal sucedidas e perda de mercado para concorrentes.

Assim, qual o melhor momento para iniciar um negócio? Em cenário de flutuações e incertezas econômicas, é melhor congelar os planos e esperar o mercado estar mais aquecido?

Segundo Guilherme Horn, fundador da Ágora e investidor-anjo de mais de 50 empresas, o momento da economia não importa. Afinal, diversas startups que deram muito certo foram fundadas em períodos de crises, oferecendo uma reflexão importante sobre as vantagens de iniciar um negócio em um momento não tão bom da economia.

Para ele, dois elementos são fundamentais na criação de uma startup: um mercado com problemas a serem solucionados e um time qualificado. Nem mesmo o produto é tão importante, pois, tendo as pessoas certas no time, elas vão melhorando o produto com o tempo. E, segundo Horn, esse tempo é fundamental para o empreendedor.

Um mercado desaquecido pode representar uma trégua para que ele possa evoluir e ganhar robustez. Quando o mercado está aquecido e demandando o produto, o empreendedor, sabendo que o produto ainda não está totalmente pronto, pode se sentir pressionado.

Muitos negócios não conseguiram captar recursos ou conquistar clientes há 5 ou 10 anos, mas, depois de muitas tentativas, hoje são empresas de sucesso. Em parte isso acontece porque essas empresas estão orientadas para mercados “futuros”, com soluções para problemas que podem não fazer muito sentido no momento para os potenciais clientes.

Foi o que aconteceu com a Loft, startup brasileira de compra de imóveis que se tornou referência mundial e ganhou status de duplo unicórnio em 2021.

A Loft

Compra de eletrônicos, eletrodomésticos, livros e, até, roupas e calçados de maneira digital já é algo comum na vida dos brasileiros há algum tempo, diferentemente de produtos frescos, como alimentos e bebidas. Mas com as restrições impostas pela pandemia, o e-commerce no país cresceu, em meses, o que levaria anos, e os consumidores passaram a perceber os benefícios e comodidades de fazer compras (de todo o tipo) sem sair de casa.

Afinal, é muito mais fácil pagar um boleto pelo celular do que ir até um banco ou procurar um imóvel para alugar sem precisar visitar todos presencialmente.

Por isso, se lançada há 10 anos, talvez a Loft não tivesse atingido o patamar que atingiu em apenas 16 meses. E por vários motivos. Já havia problemas para serem solucionados no mercado imobiliário em 2012, mas se a Loft fosse apresentada naquele ano, não teria tido a aderência que teve pelos consumidores.

Muitos deles não estariam confortáveis para um serviço totalmente digital nem teriam celular com conexão boa para as tour virtuais que o aplicativo oferece para tomar uma decisão tão grande quanto comprar um apartamento.

Timing

“É preciso caminhar em uma linha fina entre não lançar um produto ou serviço dez, cinco anos antes do seu público-alvo estar pronto para utilizá-lo ou muitos meses após o seu principal concorrente já ter formado uma boa base de clientes e ser a referência em inovação naquele mercado”, escreveu Mate Pencz, fundador da Loft, em artigo para o Valor.

Mas ainda que o empreendedor acerte o timing no lançamento, de acordo com Pencz, essa habilidade será necessária por toda a jornada do negócio – quando contratar, quando aumentar a escala, quando avançar para novos mercados. “Empreendedores de primeira viagem costumam tomar boas decisões, mas podem perder ótimas oportunidades por falta de ritmo, por tentar fazer as coisas acontecerem rápido ou devagar demais”, escreveu.

Assim, saber identificar e adequar o ritmo de crescimento da empresa é essencial – e não apenas em seu lançamento. Por isso, no dia a dia, é importante que o empreendedor reserve um tempo para planejar. Ainda que a maior dificuldade seja manter a roda girando rápido o suficiente, há casos em que o negócio se expande de maneira descontrolada.

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