Feliz 2024

Edição 64

Enquanto os brasileiros estão otimistas com a inteligência artificial, Hollywood por sua vez…

Mais: Após períodos de anomalias em 2021 e 2022, a expectativa é de que 2024 e 2025 sejam anos promissores.

Mercado caminha para a normalidade, e a expectativa é de um 2024 promissor

Desde meados de 2022, as startups têm enfrentado dificuldades para conseguir novos investimentos, uma vez que o custo do dinheiro aumentou nas principais economias globais. Mas uma pesquisa da Endeavor mostrou que essa situação não é uma “seca”, mas sim uma normalização do padrão dos aportes.

Antes da pandemia, em 2019, aconteceram 35 rodadas de investimento que totalizaram US$ 36,5 bilhões, com uma média de quase nove investimentos a cada tri.

No ano seguinte, em 2020, o número de rodadas permaneceu o mesmo (35), mas o montante investido foi de US$ 27,9 bilhões. Já em 2021, o cenário mudou drasticamente, com 74 rodadas de investimento, aproximadamente 19 a cada tri, totalizando US$ 69,3 bilhões.

O ano de 2022 teve o maior volume financeiro, com US$ 72,7 bilhões investidos em 59 operações, representando um pouco mais de 14 investimentos a cada tri.

Tanto 2021 quanto início de 2022 foram períodos “anômalos”, muito distantes do padrão normal de mercado. 

Nos primeiros três meses de 2023, foram realizadas apenas cinco rodadas, que totalizaram US$ 5,3 bilhões, o menor nível desde o início da pandemia. Esse valor está alinhado com o padrão observado no final de 2020, à medida que o mundo busca ativos seguros e lida com a incerteza macroeconômica.

Maior espaçamento entre as novas rodadas de investimento. Atualmente, nos Estados Unidos, o intervalo entre as rodadas Série A e a Série B alcançou um recorde de 2,4 anos.

Com isso, as startups têm adotado uma mentalidade de longo prazo, ficando concentradas em manter o dinheiro em caixa. De acordo com o estudo, aquelas que estão na Série B enfrentam dificuldades em conseguir uma rodada C.

Morte dos unicórnios? Muita startups estão realizando ajustes em seus valuations (muitas de forma silenciosa). Os down rounds e flat rounds estão se tornando mais comuns e menos estigmatizados, enquanto os up rounds ainda ocorrem, mas com maior demora e, principalmente, para empresas comprovadamente lucrativas. Na prática, isso significa que alguns unicórnios estão caminhando para perder ou já perderam esse status.

Tendências. Segundo a pesquisa, as teses relacionadas às fintechs foram as mais afetadas pelo aumento do custo do dinheiro e a retração dos fundos. Em contrapartida, iniciativas de SaaS, climatech e agtech têm ganhado a preferência dos investidores – normalmente, essas atuam no mercado B2B e possuem receitas recorrentes e previsíveis.

Feliz 2024. Após os períodos de anomalias em 2021 e 2022, o mercado caminha para a normalidade, e a expectativa é de que 2024 e 2025 sejam anos promissores para as startups.

Os motivos para o otimismo. A mudança de percepção e a virada para um cenário de crescimento não aconteceram por acaso. Três fatores principais influenciaram as expectativas: a venda da Pismo por US$ 1 bilhão para a Visa, a aquisição da Elo7 pelo Enjoei e o anúncio de rodadas de investimento mais substanciais.

Algumas das principais rodadas de investimento que chamaram atenção foram:

  • Sami, uma startup de planos de saúde para micro e pequenas empresas, que recebeu um investimento de US$ 18 milhões
  • Cobli, uma empresa de tecnologia para logística, que angariou R$ 100 milhões em investimentos
  • Digibee, uma startup brasileira de software, que arrecadou mais de US$ 60 milhões em uma rodada de investimento.

Brasileiros otimistas com a inteligência artificial, já Hollywood…

Como já mencionamos em edições anteriores, a maioria dos brasileiros é otimista em relação à inteligência artificial. O recente estudo da Opinion Box confirmou essa tendência, também abordando o uso da IA no mundo dos negócios.

Mesmo aqueles que a utilizam diariamente (36%) ou semanalmente (22%) para tarefas cotidianas e organização pessoal, não enfrentam grandes problemas com essa tecnologia.

23% dos participantes afirmam ter um bom conhecimento sobre IA, enquanto 68% possuem conhecimentos básicos. Os que mais entendem de IA são homens de 16 a 29 anos, que trabalham em empresas privadas. Para a maioria, as ferramentas de IA são acessíveis a qualquer pessoa e podem ser utilizadas em tarefas simples.

Mais de 70% dos entrevistados conhecem o ChatGPT e 42% deles já o utilizaram. Entre os profissionais de empresas privadas, esse número é ainda maior: mais da metade já utilizaram. Uma curiosidade interessante é que 28% de todas as pessoas entrevistadas utilizam a plataforma apenas para entretenimento.

A maioria das pessoas não tem medo da IA, mas acredita que é crucial que as empresas priorizem a segurança de dados e práticas éticas relacionadas à IA para ganhar a confiança dos consumidores.

Em especial no ChatGPT, a segurança é uma questão importante. Em geral, elas consideram as informações fornecidas pela ferramenta confiáveis, mas apenas 20% têm total confiança nelas. Essa desconfiança é compreensível, pois muitos percebem certo viés nas respostas oferecidas.

Os homens (41%) estão mais animados em relação aos avanços da IA do que as mulheres (30%). Pessoas que trabalham em empresas privadas (42%) também têm sentimentos mais positivos. As principais preocupações são com privacidade e proteção de dados (43%), perda de empregos e impacto socioeconômico (38%) e cibersegurança (32%).

Já em Hollywood…

O uso de inteligêcia artificial tem afetado Hollywood tanto em termos criativos quanto econômicos. A tecnologia vem sendo utilizada em várias etapas da produção, desde criação de efeitos visuais avançados por meio de deepfake até a recomendação de conteúdo personalizado em plataformas de streaming.

Essa aplicação permitiu a produção de conteúdos audiovisuais com custos reduzidos, mas também trouxe à tona preocupações sobre o futuro dos profissionais do setor.

Entre os roteiristas, há um consenso sobre a utilidade moderada da tecnologia para tornar seus trabalhos mais eficientes, e um receio quanto à possibilidade de a IA substituir totalmente a criação de roteiros.

Para os atores, o uso de réplicas de IA representa um impacto mais profundo na atuação profissional, pois envolve a utilização de direitos de personalidade, como imagem e voz…

Já apareceram até propostas dos estúdios de digitalizar a atuação dos figurantes ao contratá-los pela primeira vez e, posteriormente, usar a imagem digitalizada em outros filmes. Alguns figurantes receberiam apenas US$ 200 pelos direitos de uso de sua imagem para sempre.

Embora o mercado de entretenimento seja um dos mais afetados pela IA, também pode ser potencializado pelo uso responsável dessa tecnologia.

É esperar para ver os próximos capítulos…

Como investidores com histórico empreendedor podem encurtar os caminhos para as startups?

No mais recente episódio do Podcap, Felipe Marcondes, partner e Head de Venture Capital na TM3 Capital, falou sobre como o seu histórico empreendedor ajudou em sua atuação no maior fundo de VC do sul do Brasil.

Felipe compartilha as estratégias de investimento da TM3, abordando os critérios que levam em consideração ao selecionar startups para investir.

Traz ainda detalhes sobre o primeiro fundo que utiliza recursos de um Fundo Soberano na América Latina e fala sobre suas apostas para o futuro dos investimentos em startups.

Você encontrará nesse episódio:

👉 Como os fundos auxiliam com os problemas de crescimento das startups

👉 Como os diferentes investidores do fundo podem agregar valor às investidas

👉 Estratégias para mitigar os riscos e equilibrar o portfólio de investimento

👉 Perigos da má precificação dos valuations e consequências do período de valuations inflados

Para ouvir o episódia na íntegra, clique aqui.

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